Marcava às nove horas de uma quinta-feira de Carnaval. Janela a fora havia sons, ansiedade e rostos traduzindo alegrias. Era Carnaval, todos sabiam. A cidade organizava todas as suas cores em muros, roupas, casas e avenidas. Aqui dentro, havia certa calmaria que outrora viraria estremecimento, tempos passados. Mas o desejo falava forte, a nostalgia e o gosto estavam tão presentes, que poderia dizer que era real. Às nove horas de uma quinta-feira de Carnaval, deveria estar chegando à casa de tons alaranjados que tinha em Pernambuco. Deveria estar cansada. A noite se jogaria na cama e teria lembranças do sol, de ter passado à tarde em água do velho Chico, mergulhando e olhando atentamente as pedrinhas que habitavam ao chão do rio, nada poderia ser mais importante do que viver e re-viver aquela cena inúmeras vezes, saber apreciá-la, ali nada poderia ser mais importante, mas cá estava a tantos quilômetros de distância e a mente não poderia se aquietar, a densidade do momento falaria mais alto, era Carnaval.