quarta-feira, fevereiro 16

A fé de Psiquê

Não era como entoava a voz, ou como selecionava as palavras para um discursos, a dor se alojava ao canto do olho, que cintilava em naturalidade. Ela já pensava que sua fé jamais seria a mesma, tão intocável, tão inatingível, simplesmente destruída. O tempo andara sendo mais que narrador dos seus passos, era também uma espécie de arqui-inimigo. A dor vinha em suas inúmeras formas se manifestando e dominando, avisando de quem haveria de ser o senhor. Psiquê pensava enquanto acariciava o gato medonho, cujo qual ela havia salvado, que estava deitado no seu leito. Encontrava-se no chão e os pensamentos na altura. O último baluarte fora atacado, aquilo era o fruto do que havia plantado? Indagava a si mesma constantemente a mesma pergunta, não se sabe quem poderia responder, talvez o seu parceiro de vida tão traidor - O Tempo - pudesse. Até que a um certo instante tudo ficara claro em sua mente. Tratava-se de um pensamento análogo as ostras. Pequenas estruturas sólidas com aberturas miudinhas permeáveis, que vez ou outra entravam-lhes corpos estranhos. Isso era ela. Lembrou-se de como tudo acontecera, essas invasões de corpos e sentimentos indesejados dentro de si. Mas eram sim, aquelas mesmas pequenas partículas que a transformavam em algo raro, algo valorizado, que se valorizava. Reverberou e por fim sua falta de fé, seu momento de desafeto e incompreensão ao mundo, resultou em felicidades. Eram aqueles sentimentos ingratos que a faria ser a melhor de todas, a mais especial. Nunca mais questionaria sua fé, porque foi justamente em um momento de incompreensão que percebera que perder-se também era o caminho para a perfeição, bastava moldar-se. 

Para Manuella Logrado.

domingo, fevereiro 13

Feliz aniversário. Envelheço na cidade.


Dezenove verões se passaram desde o seu nascimento, um parto complicado, levou um certo tempo para nascer, mas eis que veio ao mundo, alardeando sua chegada com mecanismo que competem a sua existência. Era um recém-nascido e uma idéia que nascia uma idéia. A maiêutica definindo-se. Dezenove anos depois carregava dois apóstrofos tatuados em tinta incolor nos ombros, definindo a autenticidade de suas idéias. Ah! Era um ser humano. Carregava o mundo nas suas costas ao mesmo tempo em que o próprio a carregava de problemas,  e com o mundo, ela envelhecia. Fosse a idade ou a cachaça que carregava na mão, gritavam-lhe verdades. Estava perdida, perdida em um mundo em que todos sabiam se temperar muito bem. Nas horas, nos minutos, a sentença, sua idade dizia: Venha viver novos ciclos, aproveite o que ainda dá tempo de ser aproveitado. E naquela singela frase, um aviso importante sobre como tudo teria sua hora. A cidade lhe oferecia muitos encantos e ilusões e nos futuros anos de vida o desejo seria de somente se apegar ao que fosse mais sincero, ao que sangrasse mais.  A maturidade apressou-se.